Em seu trabalho pesquisa a memória nas artes visuais, em especial as memórias de infância, e sobre esse tema também segue essa curadoria.
Projeto
Meu interesse pela pesquisa a cerca das memórias de infância no trabalho artístico remete a minha produção como ilustradora, onde faço uso de objetos e texturas da minha infância para falar sobre as temáticas dos textos e , do meu trabalho de conclusão de curso no Curso Superior de Tecnologia em Artes Plásticas do Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia do Ceará, IFCE, intitulado O Mundo Está Lá Fora?, que resultou em uma série de objetos de arte voltados a investigação de minhas primeiras memórias de infância.
Acredito que minha geração vive um conflito com a memória e seu papel em nossas vidas. Esquecemos-nos muito rápido, vivemos na velocidade da informação, no tempo do consumo, um tempo de instantaneidade contínua. Passamos por constantes transformações do fluxo informacional, e é esse fluxo que determina a forma como nos relacionamos com as coisas, os sentimentos, os pensamentos, o espaço e o tempo. Um tempo infinitamente presente, que subverte nossas relações como passado e com o futuro. Em relação às gerações anteriores, nossa noção temporal mudou (MELLO, 2009). O passado, passa muito rápido, se subdivide em passados velhos e novos, o tempo é usado e consumido. A memória se dilui.
Para uma criança pequena, a casa, os móveis, o teto e os demais elementos que a cercam são o mundo e seus desafios. Tudo são possibilidades e sensações, e as coisas ao seu redor vão sendo vistas e sentidas, aos poucos também explicadas, e, no processo de explicar, inventadas. Assim, a criança descobre e inventa seu mundo e a si mesma:
Descobrir o espaço e descobrir-se nele, representa para cada indivíduo uma experiência a um só tempo pessoal e universal. A partir dos primeiros movimentos físicos do corpo, a criança começa a ensaiar o espaço, a discerni-lo e a conhecê-lo, vivenciá-lo, vivenciando a si mesma, consciente e inconscientemente. São processos que se interligam ao próprio curso de estruturação da percepção consciente, ás possibilidades da pessoa sentir e pensar-se dentro meio em que vive. (OSTROWER, 1983, p. 45)
O espaço da primeira infância pode não ultrapassar os limites da casa e do quintal, e mesmo assim mostra-se cheio de descobertas, possibilidades e aventuras. Nesse período, a criança ignora a existência de um mundo maior e volta sua atenção para si, seus familiares e o ambiente ao seu redor. A casa é o mundo inteiro. “Assim, o espaço que ela vivência é mítico como o dos primitivos, heterogêneo, habitado por influências mágicas.” (BOSI ,2007.Página 436)
A criança em seus primeiros dias sofre influência dos espaços e de seu núcleo social direto, a família. Desse modo, os objetos a nossa volta nos dão um assentimento, afirmam nossa posição no mundo circundante e na hierarquia familiar. A casa da mãe passa a ser o centro geométrico do mundo, que cresce ao redor dela. Ao nos lembrarmos desta casa, lembramos das coisas nas dimensões que tínhamos quando éramos crianças. A casa onde se desenvolveu uma criança é povoada de objetos e de afetos, de expectativas de um vir-a-ser ainda não frustrado.
Assim, lembrar, conhecer, escolher e revelar tais memórias através da arte e da manifestação artística é também um modo de reinterpretar essas memórias no mundo, o ato de lembrar como uma reapropriação constante dos resquícios das situações vividas.
METODOLOGIA
Meu conhecimento sobre curadoria vem sobretudo, da experiência em trabalhar com curadores no período em que trabalhei no setoor educativo do Museu de Arte Contemporânea do Dragão do Mar – MAC, e na produção e coordenação de exposições como técnica de coordenação de artes visuais do SESC Fortaleza.
Para o desafio desta exposição, com base nessas experiências e na vivência de pesquisa acadêmica, partindo então do conceito estabelecido com as artistas, sugeri então a seguinte metodologia de pesquisa e ação:
1: Conversas coletivas sobre os possíveis lugares de memória em cada uma das regionais;
2: Registro escrito das narrativas e das memórias escolhidas por cada uma para serem utilizadas;
3: Compartilhamento de fotos de infância e outros documentos pessoais;
4: Visitas coletivas aos lugares de infância e escolha dos espaços para intervenção;
5: Compartilhamento do caderno de esboços para a construção das imagens a partir das narrativas e dos processo anteriores;
6:Pré-produção;
7: Produção dos muros e ensaios fotográficos;
8: Montagem da exposição;
9: Blog montado paralelamente a todo o processo.