sexta-feira, 2 de dezembro de 2011






“Talvez hoje não seja o melhor dia pra escrever da alegria de ser criança.
Vou falar a priori da simples coisa de viajar pra casa dos meus avós (vô Manel e vó Tereza).
todo final de semana de não sei quantos anos eram passados na casa da Tereza, tinha bolo de todos os gostos, sucos e subir no pé de cajueiro.
Cinco da tarde Manel chegava e os três netos corriam:
-benção vó!
-Deus te abençõe, Deus te abençõe, Deus te abençoe.
Nós achavamos que Manel era rico, pois os bolsos dele sempre tinham muitas moedas fazendo barulho, e ele pra certificar esse pensamento,
todos os dias assim que chegava dava-nos 50 centavos pra cada neto.
A gente corria pra mercearia do Zé e voltavamos com sacos cheios dos mais gostosos bombons e chicletes que já comemos.
Sem contar as vezes que minha vô prometia dinheiro se a gente deixasse ela catar os piolhos de nossas cabeças.
 Sim, cobravamos isso dela. E era com prazer que ela pagava e achamos os mais espertos do mundo por ganhar dinheiro dos nossos avós. “

terça-feira, 29 de março de 2011

Um pouco do que falam sobre a memória.

Acredito que minha geração vive um conflito com a memória e seu papel em nossas vidas, e me coloco aqui como uma representante daquela. Esquecemos-nos muito rápido, vivemos na velocidade da informação, no tempo do consumo, um tempo de instantaneidade contínua. Passamos por constantes transformações do fluxo informacional, e é esse fluxo que determina a forma como nos relacionamos com as coisas, os sentimentos, os pensamentos, o espaço e o tempo. Um tempo infinitamente presente, que subverte nossas relações como passado e com o futuro. Em relação às gerações anteriores, nossa noção temporal mudou (MELLO, 2009). O passado, passa muito rápido, se subdivide em passados velhos e novos, o tempo é usado e consumido. A memória se dilui.

O conceito de memória pode ser compreendido como o armazenamento de informações passadas das quais o presente se serve (LE GOFF, 1996), mas alguns teóricos destrincharam ainda mais essas questões.

Ao comentar as concepções de Henri Bergson sobre a memória, Bosi (1994) esclarece que a memória seria nosso conhecimento subjetivo das coisas, dividindo-se em percepção e lembrança. A primeira apareceria como uma pausa entre as ações do organismo, seria uma relação do presente e da ideia, um ‘vazio’ que se povoa de imagens, e parte da imagem do próprio corpo e de suas relações com o espaço que o cerca, estando localizada na superfície do presente. Já a lembrança exigiria um ‘movimento’, um ‘trabalho’ ou uma ‘ação’, o ato de lembrar que está diretamente ligado ao presente, como se o passado puro e intacto se armazenasse no fundo do lago do presente e fosse resgatado pelo ato de lembrar, invadindo e misturando-se ao presente e à percepção, formando, assim, o complexo da memória.

Sendo assim, o corpo, os objetos e o espaço com o qual esse corpo se relaciona seriam “capturados” pela percepção e resgatados pela lembrança, sendo ambos atos do presente, relacionando-se com o passado, seja capturando informações do presente e armazenando- as como passado, seja partindo do presente em direção ao passado no ato de lembrar. “É do presente que parte o chamado ao qual a lembrança responde.” (BOSI, 2007, p. 48).

A subjetividade, a contemplação e o espírito seriam alegações voltadas à lembrança, enquanto a exterioridade e a matéria filiam-se a percepção. A percepção é também uma relação do indivíduo com o espaço no seu presente. Assim, a memória torna-se uma relação do espaço e do tempo, da imagem e do mundo.

sábado, 26 de março de 2011

Memória








É muito mais fácil lembrar de quando éramos pequenos do que o que comemos ontem. Pelo menos pra mim... e é o que aponta vários estudos... mas tipo, tenho que escrever sobre memória da minha infancia para um trabalho e me coloquei aqui em frente ao pc para começar a escrever... Confesso que se passa varias coisas pela minha cabeça que me da vontade de escrever, mas quando penso em INFANCIA me vem apenas um sorriso e um medo. Lembrar do passado as vezes pode ser mais agradavel do que encarar o presente ou pensar no futuro. Mas é um caminho perigoso, pq agora vc tem idade suficiente e vivencia pra analisar certos fatos da sua infancia com outros olhos, assistir a sua vida que passou e isso pode causar danos irreversiveis no seu ser, mas também pode ajudar a se entender melhor. Então me resta saber...... eu realmente quero me entender melhor ou estou enganadamente feliz com quem eu sou? Mémoria... acho que tenho medo de você.